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quinta-feira, 15 de março de 2012

Açaí-do-Pará (Euterpe oleracea Martius) e Açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Martius), duas fruteiras amazônicas de grande valor alimentar e comercial.
As duas espécies juntas, são grandes responsáveis pela criação de emprego e renda para as populações nas zonas rurais e áreas urbanas de pequenas cidades da Amazônia. 
Afonso Rabelo-Engenheiro Florestal
rabeloafonso@gmail.com

Atualmente na Amazônia brasileira são conhecidas pela ciência, quatro espécies de açaís, são elas:

1 – Nome científico - Euterpe catinga Wallace
Nomes vulgares: açaí-chumbinho ou açaí-da-caatinga
Ocorrência: região central e ocidental do Estado do Amazonas.

2 - Nome científico - Euterpe longebracteata Barb. Rodr.
Nomes vulgares: açaí-chumbo ou açaí-da-mata.
Ocorrência: Amazonas, Norte do Mato Grosso e costa ocidental do Estado do Pará.

3 Nome científico - Euterpe oleracea Martius
Nomes vulgares: açaí, açaí-branco, açaí-do-Pará (nome comum mais utilizado), açaí-da-várzea, juçara ou palmiteiro.
Ocorrência: Amapá, Amazonas na costa oriental e demais regiões do Estado é cultivado, Maranhão, Pará e Tocantins.

4 - Nome científico - Euterpe precatoria Martius
Nomes vulgares: açaí-do-Amazonas (nome comum mais utilizado), açaí-da-mata, açaí-solteiro, açaí-da-terra-firme ou açaí-do-alto-Amazonas.
Ocorrência: Acre, Amazonas, Norte do Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima.

     No entanto, só duas espécies são exploradas comercialmente, o açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.) e o açaí-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.). A principal diferença entre os dois açaís, está no hábito de crescimento das plantas, o açaí-do-Amazonas apresenta-se de forma solitária não formando touceiras (apenas um por planta), enquanto que o açaí-do-Pará, a espécie forma touceiras (vários indivíduos na mesma planta). Assim sendo, quando falarmos de açaí ou de qualquer outra espécie, sempre é bom mencionar o nome vulgar mais conhecido e o nome científico atual.


1 - CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS DO AÇAÍ-DO-AMAZONAS
Euterpe precatoria Mart.

     O açaizeiro-do-Amazonas é uma palmeira monocaule nativa da Amazônia, podendo atingir até 25 metros de altura; possui estipe (caule) cilíndrico com 15-20cm de diâmetro, coloração cinza-escura, sem espinhos e com cicatrizes aneladas resultantes da queda das bainhas. É uma palmeira muito frequente no ecossistema amazônico, todavia, não forma populações adensadas como o açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.). Na floresta primária de terra firme, a maior abundância concentra-se em ecossistemas de vertente e baixio, contudo, nas florestas de solos mal drenados, próximos aos rios e lagos, possui eficiente mecanismo de dispersão natural e adaptação em solos encharcados, chegando a alcançar mais de 200 indivíduos por hectare, nesses ambientes (Figura 1A).

 Figura 1A. Hábito de crescimento solitário do açaizeiro-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.).

     O plantio do açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.) é quase inexpressivo, no entanto, sua exploração é basicamente extrativista e, compreende áreas de populações naturais encontradas principalmente em ecossistemas de terras baixas próximas de rios e lagos. Atualmente o grande mercado consumidor dessa fruteira é a cidade Manaus e os principais municípios produtores são: Cadajás, Caori, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru e Manaquiri. Estima-se que 90% do vinho do açaí consumido no primeiro semestre do ano em Manaus, seja derivado do açaí-do-Amazonas.

     Dados obtidos por Lehti (1991), citado Alice Castro (1992), a partir do vinho de açaí de Euterpe precatoria Mart. (açaí-do-Amazonas) vendido em Manaus, mostram valores interessantes para quantidade de ferro. Para comparação, a análise efetuada com couve (Brassica oleracea L.) cozida e consumida tradicionalmente nas saladas ou nas feijoadas e, apresentada como uma rica fonte de ferro, apontou valor de 2 mg/100g, enquanto que em 100g de açaí, indicou o valor de 3,9mg, ou seja, 1,9mg ou 49% mais ferro que na couve.

     A extração do palmito do açaizeiro-do-Amazonas em ambientes naturais não é recomendado, por ser uma palmeira de hábito solitário. No entanto, cultivos racionais do açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.) e da pupunheira (Bactris gasipaes Kunth), para produção do palmito, são considerados ecologicamente corretos e economicamente viáveis, pois reduzem a pressão sobre a da extração de palmito de outras palmeiras nativas, sobretudo, as do gênero Euterpe spp. como a juçara (Euterpe edulis Mart.), nativa da mata atlântica, e do próprio açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.), que é nativo da floresta amazônica.

     É uma fruteira de grande potencial econômico, em decorrência disso, é cultivada para produção de frutos em pequenos pomares, sítios e quintais residenciais, entretanto, por ser uma palmeira de bonita conformação e porte elegante, é cultivada também como planta ornamental em fachadas de prédios, casas e alguns condomínios da cidade de Manaus (Figura 1B).

 Figura 1B. Uso do açaizeiro-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.) como planta ornamental.

FRUTOS - São drupas de forma globosa, medindo de 1,1-1,2cm de comprimento, por 0,9-1,1cm de diâmetro e pesando em média, 1 (um) grama; apresentam epicarpo (casca) fino, liso e de coloração negro-arroxeada na maturidade; o mesocarpo (polpa) é pouco volumoso, possui coloração violácea e espessura pequena. O mesocarpo (polpa) e o epicarpo (casca) são os subprodutos dos frutos utilizados na preparação da polpa concentrada e do vinho, com rendimento ±20% em relação ao total do fruto. O vinho de açaí é considerado um alimento calórico e rico em pigmentos chamados antocianinas, que por sua vez têm função antioxidante e também ajudam na circulação sanguínea, além de possuírem reconhecidamente, considerados teores de fibras, lipídeos, proteínas, vitamina-E e minerais como cálcio, ferro, fósforo e potássio. Este vinho é consumido, basicamente, na forma tradicional com açúcar e farinha de tapioca, seu paladar é semelhante ao vinho do Euterpe oleracea Mart. (açaí-do-Pará), que juntos são considerados como principais alimentos das populações interioranas da região amazônica, contudo, a polpa concentrada ou desidratada é utilizada, sobretudo, na agroindústria na preparação de alimentos como: doces, geleias, licores, picolés, sorvetes, sucos, tortas, entre outros; e em laboratórios, na fabricação de vários tipos de cosméticos e medicamentos fitoterápicos (Figura 1C e 1D).

 Figura 1C. Infrutescência madura do açaizeiro-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.).

Figura 1D. Frutos inteiros e descerrados açaizeiro-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.).


 2 - CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS DO AÇAÍ-DO-PARÁ
Euterpe oleracea Mart.

     O açaizeiro-do-Pará é uma palmeira multicaule, constituída por 3 a 20 indivíduos de diferentes tamanhos nas touceiras, contudo, os mais velhos chegam a alcançar até 20 metros de altura. Os estipes (caules) são cilíndricos, medindo de 8 a 12cm de diâmetro, possuem superfície lisa, coloração cinzenta e cicatrizes aneladas resultantes das renovações das bainhas. A base do estipe é coberta por de raízes adventícias, as quais apresentam coloração avermelhada, em épocas chuvosas e cinzenta, nos períodos de estiagem. Por apresentar uma abscisão constante de folhas, aliada ao sistema radicular fasciculado e abundante e, com a presença de raízes adventícias, o açaí-do-Pará pode ser recomendado para proteção do solo, enriquecimento de matas ciliares, proteção de nascentes e prevenção contra assoreamento de rios, lagos e igarapés (Figura 2A).

 Figura 2A. Hábito de crescimento solitário do açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.).

     É nativo da Amazônia, tendo suas maiores populações concentradas nas florestas da Amazônia Oriental, principalmente, nos Estados do Pará, Amapá e Maranhão. Possui eficiente mecanismo de dispersão natural e adaptação a solos encharcados; em função disso, cresce de maneira espontânea, sobretudo, nas margens de pequenos rios, igarapés e em florestas de solos arenosos mal drenados, às vezes, formando populações quase homogêneas, no entanto, fora desses ambientes, a espécie é bastante vulnerável à estiagem, principalmente, quando cultivadas em canteiros dentro da zona urbana. Na Amazônia oriental, o açaí-do-Pará figura como a espécie mais promissora para o manejo sustentado de produtos florestais não madeireiros, visto que, a comercialização de seus subprodutos possibilitam geração de emprego, aumento de bens móveis e imóveis que, consequentemente promovem melhoria na qualidade de vida das população ribeirinhas. O açaizeiro-do-Pará atualmente é cultivado para produção de frutos como produto principal e palmito como secundário, por vários agricultores, sobretudo, no Estado do Pará. Entretanto, por ser bastante ornamental, é muito comum seu cultivo em quintais residenciais, fachadas de prédios e praças espalhadas por toda a Amazônia (Figura 2B).

 Figura 2B. Uso do açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.) como planta ornamental.

     Atualmente a cadeia produtiva do açaí-do-Pará emprega milhares de pessoas em mais de 50 municípios no Estado do Pará, com uma produção anual estimada em quase 600 mil toneladas de frutos (ano de 2010), sendo ±60% consumidas regionalmente, 25% exportados para a região Sudeste do Brasil e 15% para a Europa e Estados Unidos, onde possuem boa aceitação, figurando entre os frutos mais saborosas da atualidade nesses países

FRUTOS - Apresentam forma globosa, medindo de 1,2-1,5cm de comprimento por 1,1-1,6cm de diâmetro; o epicarpo (casca) é fino e liso, com coloração negro-arroxeado, no entanto algumas variedades podem apresentar ocasionalmente, frutos de coloração verde na maturidade; o mesocarpo (polpa) é pouco volumoso, possui coloração violácea e espessura em torno de 1mm. O mesocarpo (polpa) e o epicarpo (casca) são os subprodutos utilizados na obtenção da polpa concentrada e na preparação do vinho, porém são limitados, com rendimento ±15% em relação ao total do fruto. O vinho dessa espécie é considerado um alimento calórico e rico em pigmentos chamados antocianinas, que por sua vez, têm função antioxidante e também ajudam na circulação sanguínea, além de conter considerados teores de fibras, lipídeos, proteínas, vitamina-E e minerais como: cálcio, fósforo e potássio. O consumo do vinho do açaí-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.) é semelhante ao do açaí-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.), no entanto, a polpa concentrada ou desidratada é utilizada na agroindústria para preparação de alimentos como: doces, geleias, licores, picolés, sorvetes, sucos, tortas, entre outros. Também é utilizada em laboratórios de cosméticos para fabricação de creme para cabelo, esfoliante, hidratante corporal, máscara capilar, sabonete líquido e em barra, xampu e condicionador, além de alguns medicamentos fitoterápicos (Figuras 2 C e 2D).

 Figura 2C. Infrutescência madura do açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.).

 Figura 2D. Frutos inteiros e descerrados açaizeiro-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.).

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