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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Amazônia Rural: Conheça os potenciais gastronômicos do buriti


Por Amazônia Rural
Da Rede Amazônica

O programa mostrou o potencial gastronômico de uma fruta regional, o Buriti. É possível fazer mais de 60 receitas entre comidas quentes e sobremesas.

Fruta nativa da região, o Buriti possui versatilidade na gastronomia (Foto: Amazônia Rural)

domingo, 12 de junho de 2016

POTENCIALIDADES ECONÔMICAS E INDUSTRIAIS DOS FRUTOS DO BURITI (Mauritia flexuosa L. f.)

*Afonso Rabelo, Maria das Dores Batista da Silva, *Felipe França Moraes e *Gláucio Belém da Silva
*Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-CBIO/INPA – rabeloafonso@gmail.com
FORAM DESENVOLVIDOS 66 PRODUTOS E RECEITAS INÉDITAS A PARTIR DA POLPA DO BURITI
As receitas e os produtos foram desenvolvidos com objetivo de valorizar uma das espécies de palmeiras mais nobre da Amazônia, a qual possui forte valor agregado, mas que até então é muito desvalorizada e desperdiçada.

ÁRVORE DO BURITI – O buritizeiro é uma palmeira de porte alto alcançar até 30 metros de altura e natureza indivíduos masculinas que não frutificam e plantas femininas as quais produzem frutos. Apesar de predominar em áreas de solos encharcados, o buritizeiro pode ser cultivado em solos bem drenados fora do seu habitat natural, especialmente como planta ornamental em parques botânicos, praças e fachadas de prédios ou para produção de frutos. O buriti possui ampla distribuição geográfica e ocorrem em todo o bioma amazônico, no cerrado, pantanal e parte das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil.
 Buritizeiro

IMPORTÂNCIA - O buritizeiro é considerado uma fruteira de grande importância ecológica, econômica, nutricional, ornamental e social e, com elevado potencial para exploração extrativista e sustentada, especialmente, pelas populações tradicionais da Amazônia. A polpa do furto de buriti possui textura pastosa, consistência oleosa, coloração amarela e rendimento de 30-35% em relação ao peso total do fruto e é considerada como um alimento antioxidante, altamente energético e rico em carboidratos, fibras alimentares, lipídios, proteínas e ß-caroteno (pró-vitamina “A”), sendo considerado uma das maiores fontes de vitamina “A” da natureza, além disso, possui ácido oleico (ômega-9), vitamina “C” e minerais como: cálcio, fósforo, potássio e ferro. Os frutos de buriti possuem forte valor agregado, mas ainda são muito desvalorizados e desperdiçados, apenas quatro produtos podem ser encontrados no comércio, são eles: Doces, picolés, sorvetes e sucos.

COLETAS DOS CHACHOS DE BURITI - No cenário atual, os frutos são coletados a partir da queda espontânea debaixo das árvores, sendo considerada como uma atividade antieconômica, pois poucos frutos são coletados por vez, acarretando em perda de tempo, desgastes físicos e elevação do custo de transporte, além disso, essa atividade torna os frutos suscetíveis às contaminações por fungos e bactérias e as predações por animais silvestres. As principais razões que dificultam a exploração e desenvolvimento de novas receitas e produtos do buriti são a falta de pesquisas sobre ferramentas para coletas dos cachos, amadurecimento dos frutos pós-colheita e processamento da polpa. Todavia, para resolver esses problemas a Editora do INPA publicou em 2015 uma cartilha sobre pesquisas das potencialidades econômicas do buriti e também sobre desenvolvimento de ferramentas para coleta dos cachos, pesquisas de pós-colheita, processamento e agregação de valor econômico aos frutos.
  Link do vídeo das coletas dos cachos: https://www.youtube.com/watch?v=jZdKCMVl0m8

APLICAÇÃO DOS RESULTADOS DAS PESQUISAS - Depois dessas pesquisas nós aplicamos esses conhecimentos e até o momento desenvolvemos 64 produtos inéditos oriundos da polpa de buriti (a nossa meta é atingir 100 produtos). Desses produtos muitos possuem alto valor comercial e industrial.

PRODUTOS E RECEITAS - Os produtos e as receitas desenvolvidas foram otimizadas visando proporcionar para as pessoas maior praticidade, redução de custos, comodidade, segurança limentar, saúde, bem-estar e melhor aroma e paladar nos pratos, sobretudo na culinária amazônica. 


Dentre os produtos desenvolvidos, destaco o TEMPERO CASCUBURI, o qual pode ser usado para preparação de caldeiradas de vários tipos de peixes amazônicos, dispensando o uso de todos os condimentos tradicionais, nesse caso, usa-se somente o tempero e a água. 
 Caldeirada de tucunaré no tempero cascuburi


Como substituto do TRADICIONAL TUCUPI foi produzido o TEMPERO TACABURI, que é um produto constituído por frutos de castanha-do-Brasil, cubiu, buriti e ervas amazônicas. O Tacaburi é um produto rico em propriedades medicinais, nutricionais e fibras alimentares e possui baixa acidez. A partir desse tempero pode ser preparado caldos muito aromático e com paladar muito saboroso, dessa forma pode ser utilizado nas preparações de vários pratos tradicionais da culinária amazônica, entre elas: pato, galinha-caipira, peixes (acari-bodó, pirarucu, tamuatá, tambaqui, entre outros) e costela e rabada bovina. O caldo tacaburi pode ser usado também em substituição ao tucupi na preparação do tacacá, e quanto as aspectos econômicos, um litro do tempero concentrado tacaburi rende aproximadamente 30 cuias médias do Tacaburi (tacacá sem tucupi), e se cada cuia for vendida a 15 reais, o rendimento líquido descontando o custo de produção é de 300 reais.
 Tacaburi (tacacá sem o tradicional tucupi)


Foi desenvolvido também um tempero chamado de VATABURI, o qual substitui o azeite de dendê na preparação do vatapá tradicional, no entanto com vantagem de ser mais saudável, pois a gordura da polpa do buriti é insaturada e a do dendê por sua vez é saturada e muito prejudicial à saúde.
Vataburi (vatapá sem o uso do azeite do dendê).

Para retirar o forte odor (pitiú) de peixes, frutos do mar, carnes de galinhas, patos e porcos, foi desenvolvido um tempero a base de frutos de buriti e de ervas amazônicas para dispensar o uso do limão, do sal e do vinagre. 


Para testar o aroma e paladar dos novos pratos, foram realizados vários eventos para degustação para analisar as novas receitas e para nossa surpresa todas foram aprovadas por unanimidade. 


Todavia, quanto aos aspectos nutricionais desses novos produtos, às pesquisas estão em andamento no laboratório especializado de análises físicos-químicas do INPA e outras já estão em fase de conclusão. Entretanto eu e minha equipe acreditamos que nossos temperos são mais nutritivos e saudáveis em relação aos condimentos industrializados.


Cabe salientar que todos os produtos desenvolvidos são isentos de conservantes, com prazo de validade de até seis meses durante o tempo em for conservado fora da geladeira.


PARA REFLEXÃO - Dentre os produtos florestais não madeireiros, nós acreditamos que a valorização dos frutos é um grande argumento capaz de produzir efeitos multiplicadores para manutenção da floresta em pé.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

PUBLICADA PELA EDITORA DO INPA A CARTILHA

FERRAMENTAS PARA COLETA DE CACHOS DE PALMEIRAS NA AMAZÔNIA: uma nova valorização econômica

Afonso Rabelo, Felipe França Moraes & Gláucio Belém da Silva - Cbio-INPA


APRESENTAÇÃO


A presente obra traz uma contribuição muito importante para a melhoria da qualidade de vida de populações extrativistas e de pequenos produtores de palmeiras. Parte de rigorosa atividade de pesquisa que, de forma inequívoca, dá fundamento à proposta.

Consegue atender num só ato às demandas sociais, ambientais e produtivas contemplando aquilo que sempre almejamos incentivar: a sustentabilidade como valor fundamental de toda atividade humana. 

Os coletores de frutos de palmeira, tradicionalmente, enfrentam o desafio da retirada de frutos de várias palmeiras em ambientes bastante adversos; marcados muitas vezes pela presença severa de espinhos, em áreas alagadas, troncos irregulares, em localidades distantes, em que é preciso escalar alturas diversas, sempre sob o risco de acidentes e exaustão. Aqui temos uma alternativa tecnológica simples, leve, de fácil manuseio e compreensão, de baixo custo financeiro e alto valor social constituindo-se assim uma verdadeira tecnologia social. Tecnologia social não somente porque satisfaz interesses de grupos sociais em situação de vulnerabilidade e exclusão, como é o caso das populações extrativistas, mas também porque resulta de um processo interativo em que o homem da terra precisou ser ouvido e atendido.

Aqui a ciência mostrou importar para sua agenda de pesquisas um tema de interesse da sociedade; e, assim, importar-se com a situação de precarização do trabalho e desconforto de populações rurais. É isso que queremos e buscamos ao fazer ciência na Amazônia.

A leitura é altamente recomendada a todos que desenvolvem atividades em área rural na qualidade de extrativista ou produtor; ou a aqueles que se dedicam a capacitar outros e serem disseminadores de conhecimento através de diversas modalidades de ensino e assessoria técnica.

Dra. Denise Machado Duran Gutierrez
Coordenadora de Tecnologia Social-COTS/COEX-INPA


INTRODUÇÃO

A família das palmeiras (Arecaceae) é considerada em termos econômicos, sociais e ecológicos, como a terceira família vegetal mais importante para o homem no mundo e a primeira para as populações tradicionais da Amazônia. Os frutos e as sementes possuem grande valor alimentar, comercial, industrial e medicinal, entretanto, as coletas dos cachos com frutos maduros são muito difíceis, por essa razão, a produtividade é afetada. 

No cenário atual, as palmeiras que não possuem espinhos são coletadas com a escalada de pessoas nas árvores, porém, esse trabalho é considerado árduo e muito perigoso. Todavia, as plantas com estipes cobertos por espinhos são coletadas com auxílio de instrumentos caseiros, como por exemplo, varas de madeiras com ganchos ou foices adaptadas na extremidade superior, apesar disso, são instáveis (desequilibradas), de difícil manuseio, sendo trabalhoso e muita das vezes inoperantes. 

Diante dessa situação, foram desenvolvidas ferramentas com tecnologia simples, acessível, equilibrada e de fácil manuseio, para serem usadas nas coletas dos cachos de 20 espécies de palmeiras de alto valor econômico.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Valorizando os frutos nativos da Amazônia

Culinária requintada com buriti (Mauritia flexuosa L. f.)
Afonso Rabelo, Maria das Dores Batista da Silva, Felipe França e Gláucio Belém

Por Afonso Rabelo – Engenheiro Florestal
Fotos e arte – Afonso Rabelo


Foram desenvolvidas 23 novas receitas utilizando a polpa de buriti: bolinhos de pirarucu seco com buriti e macaxeira, bolos de buriti, brigadeiros de buriti, caldeirada de tambaqui com buriti, coquetel de buriti, creme buribom, licor de buriti, molhos de pimentas de buriti, molhos para sanduíches e salgados de buriti, moqueca de surubim com buriti, mousses de buriti, pães de buriti, pirarucu desfiado com buriti substituindo o colorau, pirarucu fresco empanado com buriti substituindo o trigo, pirarucu fresco ao molho de buriti, patê de buriti, pudins de buriti, pirarucu fresco salmorado e frito ao molho de buriti, pirarucu salmorado ensopado na castanha-do-Brasil e no buriti, sucos concentrados de buriti, tambaqui empanado no buriti, tortas de buriti e vatapá de buriti em substituição ao azeite dendê. A meta da equipe é alcançar 50 combinações diferentes utilizando a polpa concentrada de buriti.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Técnicos do Inpa capacitam comunitários para desenvolver extrativismo sustentado a partir de palmeiras pouco valorizadas


Por Caroline Rocha – Ascom Inpa
Foto: Acervo Afonso Rabelo
  
Para superar gargalos do extrativismo de palmeiras frutíferas na Amazônia, técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) capacitam comunitários sobre novos usos do buriti na culinária regional e a utilização de uma ferramenta de coleta de cachos de frutas em palmeiras.

De acordo com os técnicos Afonso Rabelo e Gláucio Belém, o buriti (Mauritia flexuosa L. f.) é uma palmeira abundante na Amazônia, predominante em solos encharcados embora possa ser cultivado em superfície de solos bem drenados fora do habitat natural, e de ampla importância econômica, social, nutricional.

Os frutos do buriti são considerados antioxidantes, altamente energéticos e ricos em carboidratos, fibras alimentares, lipídeos, ácido oleico (ômega-9), proteínas, ß-caroteno (pró-vitamina), vitamina C e minerais como: cálcio, fósforo, potássio, ferro e possuem alto valor agregado, porém muito desperdiçado.
Para estimular o extrativismo sustentado e a geração de novas atividades produtivas nas comunidades rurais e indígenas, os técnicos foram para Tabatinga (a 1.108 quilômetros de Manaus), município que possui grandes extensões de buritizais.
 
Os técnicos do Inpa capacitaram 43 pessoas, em julho, para desenvolver produtos culinários do fruto de buriti, entre extrativistas, servidores públicos, estudantes e mulheres indígenas, além de demonstrar o uso da ferramenta para coleta de cachos de palmeiras. A previsão é que tenha uma fábrica de beneficiamentos dos frutos do buriti em Tabatinga podendo ser instalada até a próxima safra, que ocorrerá daqui aproximadamente um ano.

No município do Alto Solimões, foram desenvolvidas palestras sobre as potencialidades extrativistas, econômicas, nutricionais e paisagísticas do buriti, e ainda foi realizada uma oficina gastronômica com o fruto.
O objetivo da oficina foi valorizar as fruteiras amazônicas. “Antes o buriti era usado apenas para fazer doce, sorvete, vinho e picolé. Mostramos aos participantes novas formas de utilizar o buriti na culinária regional e aumentar o valor do fruto”, explicou o técnico Gláucio Belém.

De acordo com Afonso Rabelo, que é engenheiro florestal e pós-graduado em Ciências Biológicas, a equipe dele já desenvolveu 15 produtos novos utilizando a polpa de buriti: bolos, brigadeiros, caldeirada de tambaqui com buriti, cremes, molhos de pimentas de buriti, molhos para sanduíches de buriti, moqueca de surubim com buriti, mousses, pães, pirarucu desfiado com buriti substituindo o colorau, pirarucu empanado com buriti substituindo o trigo, pirarucu fresco ao molho de buriti, pudins, sucos concentrados, tortas e vatapá em substituição ao azeite dendê. “Estamos trabalhando para alcançar 50 combinações diferentes utilizando a polpa de buriti”, contou Rabelo.

Ferramenta para coletas de cachos de palmeiras

De acordo com Afonso Rabelo, no cenário atual, as palmeiras que não possuem espinhos são coletadas com a escalada de pessoas nas árvores, porém, o trabalho é considerado árduo e muito perigoso. Já as plantas com estipes (caule) cobertos por espinhos são coletadas com auxílio de instrumentos caseiros, como por exemplo, varas de madeiras com ganchos ou foices adaptadas na extremidade superior, apesar de ser um trabalho perigoso, de difícil manuseio e muita das vezes inoperantes.

Diante dessa situação, os técnicos do Inpa desenvolveram uma ferramenta para coleta de cachos de 20 espécies de palmeiras, batizada de Palmhaste. O uso da ferramenta desenvolvida possui uma série de vantagens. Entre elas estão à diminuição das ameaças de supressão das palmeiras para retiradas dos cachos e dos danos mecânicos causados nas árvores para as coletas.

A vara formada por tubos de alumínio naval com altura mínima de 3,20 metros e a máxima com 19,2 metros de altura e peso total de 13,12 quilos pode ajudar a evitar acidentes graves com os coletores que precisam escalar as palmeiras para colher os frutos, além de ajudar a aumentar a produtividade e a renda das comunidades rurais, valorizando dessa maneira o extrativismo sustentado na Amazônia.

Segundo Rabelo, para auxiliar na divulgação e difusão das potencialidades da Palmhaste, a Editora do Inpa pretende lançar até o fim de 2015 uma cartilha sobre uso da ferramenta de coleta. Os técnicos acreditam que a difusão dos produtos podem alcançar novas metas de geração de emprego, renda, saúde e bem-estar, sobretudo nas comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia.