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domingo, 14 de setembro de 2014

Casal explora o potencial das frutas amazônicas 

Frutos nativos da região coletados pelo engenheiro florestal Afonso Rabelo viraram deliciosas iguarias nas mãos da esposa
 07 de Setembro de 2014
ANA CELIA OSSAME  - Jornal A crítica

O pesquisador Afonso Rabelo e a esposa Maria das Dores mostram iguarias criadas por eles usando frutas nativas (Antonio Lima - Jornal A crítica)

Bacaba, Buriti, Murici Amarelo, Camu-camu, Jenipapo e Taperebá são frutas nativas pouco encontradas em mercados e feiras da capital amazonense e, por isso, desconhecidas de muitos amazonenses. Alvos de pesquisas do engenheiro florestal Afonso Rabelo, 52, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), as frutas de sabores acentuados e diferenciados, viraram também experiências culinárias causadoras de surpreendentes expressões de satisfação de quem prova as receitas elaboradas em parceria com a esposa dele, Maria das Dores Batista da Silva.
Uma das primeiras demonstrações abertas ao público aconteceu na última quinta, no Paiol da Cultura, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Bolo de Bacaba, de Buriti e Cupuaçu, pudim de Taperebá, além de suco de Murici Amarelo, suco Camu-Camu, Urucuri, Jenipapo e vinho de Bacaba e Buriti foram algumas iguarias degustadas por convidados, entre amigos e servidores do Inpa. A preparação das receitas com os sabores genuínos da Amazônia ganha importância graças à iniciativa do casal, que vem triturando polpas e produzindo caldas, xaropes e cremes capazes de deixar com água na boca os observadores. De acordo com Rabelo, as receitas foram adaptadas e ainda estão em testes, por isso ainda não podem ser compartilhadas. Mas o potencial das frutas amazônicas mostra um bom caminho a trilhar e que podem se transformar em pudins, creme, doce, patê, mousses, sucos, licores, sorvetes caseiro, xaropes, pão, farinha e óleo, enumera o pesquisador.



Experiência 

A primeira experiência de receita foi com o Taperebá, fruta cujo período de safra é de janeiro a março de cada ano. Rabelo estava no Município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) e viu muitas pessoas vendendo um saco de 50 quilos com frutas por R$ 10. “Como eram muitas frutas, pensei que a pessoa poderia agregar valor e ganhar muito mais, por exemplo, fazendo suco, picolé e até um pudim, que ficou muito gostoso”, disse ele, que ganhou o apoio da esposa na proposta que evoluiu para outras frutas, entre as quais a bacaba, também quase inexistente nas feiras e mercados.
A Bacaba virou mousse e creme deliciosos, mas eles ainda não conseguiram chegar a uma receita de pudim dessa fruta. “Nas experiências que fizemos, o gosto ficou mascarado, mas vamos fazer novos experimentos”, disse o pesquisador. Das Dores, como é conhecida, destaca o resultado das iguarias de outra fruta, o Urucuri, cujos suco, creme, pudim e bolo ficam de um sabor incomparável. Esta fruta, certamente virou receita pela primeira vez nas mãos do casal, que além de oferecer delícias para o paladar, não esquecem de afirmar outro diferencial marcante para as receitas: Nenhuma das frutas usadas têm agrotóxico, porque todas foram colhidas na fonte, ou seja, na própria floresta.



Livro vai trazer frutos e receitas

No livro publicado em 2012, Afonso Rabelo catalogou 38 espécies de frutas nativas comercializadas nas feiras e mercados, mas não encontradas durante todo o ano, enumerando as características. A fruta mais rara, catalogada em duas feiras, na Panair e na Torquato Tapajós, foi a Gogó-de-Guariba, semelhante a uma maçã. Até o ano de 2017, o casal pretende lançar um livro descrevendo cerca de 100 frutas nativas e receitas diversas da culinária elaborada pelos dois, que chamam a atenção para a sazonalidade de cada fruta..
Um destaque no livro ele fará para as frutas da região do Purus, muito rica pela paisagem exuberante e bastante preservada. Nascido lá, ele destaca por exemplo, a existência de uma palmeira chamada Urucuri, desvalorizada e desperdiçada, mas quando experimentada na culinária rende bolo, mousse e pudim de sabor inigualável.



Pontos
Ideia é valorizar os frutos amazônicos

O pesquisador catalogou e descreveu frutas raríssimas como o caramuri, que não é comercializado por ser uma espécie rara que só dá de quatro em quatro anos. Uma fruta que surpreendeu o casal e familiares deles, que fizeram a primeira degustação, foi o Urucuri, que usado em suco, creme pudim e bolo rendeu um alimento de sabor incomparável.Para Afonso, o trabalho da catalogação e pesquisa das frutas cumpre uma importante missão de divulgar o valor dessas frutas e contribuir para a preservação e dessa forma, aumentar o consumo delas, dado o grande valor nutricional de cada uma.Nas receitas de pudim, mousse, creme, doce, patê, sucos, licor, sorvete caseiro, xarope, pão, farinha e óleo, as frutas amazônicas desconhecidas ou pouco utilizadas ganham uma valorização importante.

(Fonte:http://acritica.uol.com.br/amazonia/Manaus-Amazonas-Amazonia-Casal-explora-potencial-frutas-amazonicas_0_1207079293.html

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

FRUTOS NATIVOS DA AMAZÔNIA QUE PODERÃO SER ENCONTRADOS DURANTE A COPA DO MUNDO EM MANAUS, AM.

Afonso Rabelo, Engenheiro Florestal - CBIO-INPA - rabeloafonso@gmail.com

Frutos nativos da Amazônia que poderão ser encontrados durante a Copa do mundo em Manaus, dividimos em duas partes: 1) Frutos nas formas in natura (frutos da época) e 2) Frutos industrializados. 

 Frutos maduros de guaraná (Paullinia cupana Kunth).

1) FRUTOS NAS FORMAS IN NATURA são aqueles que podem ser encontrados nas feiras livres, sobretudo, aquelas que comercializam produtos regionais.
Para o mês de junho (mês da copa em Manaus), catalogamos 15 espécies que podem ser encontrados durante a copa do mundo, são elas: açai-do-Amazonas (Euterpe precatoria Mart.), açaí-do-Pará (Euterpe oleracea Mart.), araçá-boi (Eugenia stipitata McVaugh), bacuri-de-espinho (Garcinia madruno (Kunth) Hammel), bacuri-do-igapó (Garcinia brasiliensis Mart.), biribá (Rollinia mucosa (Jacq.) Baill.), cubiu (Solanum sessiliflorum Dunal), ingá-açu (Inga cinnamomea Spruce ex Benth.), ingá-cipó (Inga edulis var edulis Mart.), jatobá (Hymenaea courbaril L.), jenipapo (Genipa americana L.), mari-mari (Cassia leiandra Benth.), sorvinha (Couma utilis (Mart.) Müll. Arg.), maracujá-do-mato (Passiflora nitida Kunth) e tucumã (Astrocaryum aculeatum G. Mey.). 

AS PRINCIPAIS FEIRAS ONDE ESSES FRUTOS PODEM SER ENCONTRADOS

-Feira do CIGS, localizada na Avenida São Jorge, 750, no Bairro de São Jorge, realizada aos sábados, a cada 15 dias.
-Feira de Frutas Regionais, localizada na Avenida Torquato Tapajós, próxima da entrada para o aeroporto Eduardo Gomes, todos os dias.
 -Feirão da SEPROR, localizada na Avenida Torquato Tapajós, na antiga Expoagro, todas sextas e sábados.
 -Feira de Produtos Regionais do CASSAM, localizada em frente ao aeroporto de Ponta Pelada, a cada 15 dias.

2) FRUTOS INDUSTRIALIZADOS são aqueles beneficiados pelas indústrias alimentícias, de bebidas, de fitoterápicos e de cosméticos, podendo ser encontrados em empórios ou lojas que comercializam produtos naturais, ou ainda em lanchonetes, lojas de artesanatos, restaurantes, sorveterias e supermercados, são eles: 

-Açaí, 2 (duas) espécies (Euterpe oleracea  Mart., &  Euterpe precatoria Mart.), podem ser encontrados nas formas de bombons finos, doces, geleias, licores, picolés, sorvetes, sucos, tortas, entre outros. A polpa concentrada é muito usada em lanchonetes e restaurantes em mistura com outros alimentos.
-Araçá-boi (Eugenia stipitata McVaugh), na forma de bombons finos, geleias e licores.
-Buriti (Mauritia flexuosa L f.), bombons finos, geleias, licores, picolés, sorvetes e cosméticos.
-Camu-camu (Myrciaria dubia (Kunth) McVaugh), licores, polpa concentrada e sucos.
-Castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa Bonpl.), bombons recheados, bolos, sorvetes e castanhas torradas, as quais podem ser usadas como condimentos para preparação de diversos tipos de iguarias, sobretudo as amazônicas. Todavia pode ser encontrado também na forma de cosméticos e de produtos farmacêuticos.
-Cacau (Theobroma cacao L.), licores, sucos, chocolate em barras, chocolate em pó, achocolatados e na preparação de uma imensidão de iguarias.
-Cubiu (Solanum sessiliflorum Dunal), bombons finos e licores. Contudo, a polpa pode ser usada na forma de sucos ou na preparação de compotas, doces e saladas e, ainda como condimento para refeições constituídas principalmente de peixes ou de frangos.
-Cupuaçu (Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) Schum.), polpa concentrada, a qual é muito utilizada na culinária caseira ou em restaurantes nas preparações de bolos, cremes, doces, mousses, pavês, pizzas, pudins, sucos, tortas, entre outros. O fruto do cupuaçu pode ser encontrado também na forma de biscoitos, bebidas destiladas, bombons recheados, geleias, iogurtes, licores, picolés, sorvetes, sucos e cosméticos.
-Jenipapo (Genipa americana L.), licores, todavia, a polpa pode ser usada na preparação de sucos.
-Guaraná (Paullinia cupana Kunth), pó de guaraná, o qual é muito utilizado em lanchonetes para preparação de vários tipos alimentos, entre eles, a mistura de guaraná com limão e mel; guaraná com amendoim, castanha de caju e leite; guaraná com amendoim, ovo de codorna, castanha de caju, mel e leite; guaraná com acerola, leite, mel, catuaba e miratã em pó, entre outros. Em supermercados podem ser encontrados na forma de refrigerantes e xaropes concentrados e, nas lojas de produtos naturais na forma licores, cosméticos e fitoterápicos.
-Pupunha (Bactris gasipaes Kunth), geleias e farinha de pupunha, que pode ser usada na preparação de licores e vários tipos de alimentos tais como: bolos, cuscuz, pães, tortas, massas para salgados, entre outros, ou ainda em várias receitas na culinária caseira. 
-Taperebá (Spondias mombin L.), na forma de licores, polpa concentrada, picolés e sorvetes.
-Tucumã (Astrocaryum aculeatum G. Mey.), sorvetes, todavia, a polpa é muito utilizada em lanchonetes ou restaurantes de cafés regionais em recheios de alimentos constituídos principalmente de tapiocas, ou ainda para preparação sanduíches como o famoso x-caboquinho, o qual tem grande aceitação em Manaus. Contudo, a polpa pode ser usada para preparação de bolos, cremes, macarronadas, pães, pizzas, pudins, entre outros.

POTENCIALIDADES NUTRITIVAS DE ALGUNS FRUTOS DA AMAZÔNIA

-Açaí - O vinho dessa espécie é considerado um alimento de alto valor energético e rico em pigmentos chamados antocianinas, que por sua vez, têm função antioxidante, anticâncer e desintoxicante, além de conter considerados teores de carboidratos, fibras, lipídeos, proteínas, vitamina-E e minerais como: cálcio, fósforo e potássio.
-Araçá-boi -  Rico em carboidratos e vitamina “C”;
-Buriti - É considerado uma das espécies mais ricas em ß-caroteno (pró-vitamina “A”) que se tem conhecimento, com até cinco vezes mais do que encontrada na cenoura;
-Cupuaçu - rico em proteínas, cálcio, fósforo, vitamina “C”;
-Camu-camu -  Fruto mais rico em vitamina “C” do mundo;
-Cubiu – É usado no controle da diminuição dos níveis do ácido úrico, glicose no sangue, coceira da pele e colesterol; cupuaçu possui altos teores de proteína, cálcio, fósforo, vitamina “C” e pectina;
-Guaraná - Possui alto teor de cafeína, proteína, carboidrato, cálcio e potássio. O pó do guaraná é classificado como alimento energético, afrodisíaco e como estimulante, atuando no combate às indisposições físicas, cansaço, estresse mental e fraqueza em geral.
-Pupunha e tucumã - Ambos são ricos em ß-caroteno (pró-vitamina “A”), proteínas, minerais, lipídeos, carboidratos, óleos e fibras.

OS FRUTOS NATIVOS DA AMAZÔNIA MAIS IMPORTANTES

Açaís, cacau, camu-camu, castanha-do-Brasil, cubiu, cupuaçu, guaraná, pupunha e tucumã. São considerados orgânicos, ou seja, são extraídos e produzidos sem o uso de agrotóxicos, conferindo a eles, uma alimentação mais saudável, nutritiva e energética. Todavia, possuem sabores agradáveis e boa aceitação no mercado regional, entretanto, suas potencialidades de valor extrativistas, sustentáveis, nutricionais, medicinais e de valor econômico agregado, já são conhecidas pelos mercados nacionais e internacionais, no entanto, nós amazônidas, precisamos aumentar mais as ofertas de frutos nativos nas feiras, mas para que isso ocorra, é necessário valorizar mais as fruteiras nativas e mudar à cultura extrativista.

PESQUISAS, PUBLICAÇÕES E DIVULGAÇÕES

Sobre frutos nativos da Amazônia, o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) concluiu muitas pesquisas nas áreas de botânica, desenvolvimentos de subprodutos (alguns em fase de patenteamento) e sobre aspectos agronômicos, nutricionais, medicinais e econômicos. Os resultados dessas pesquisas podem ser encontrados em formas de banners, folders, cartilhas e livros e, todos esses materiais estão disponíveis no INPA para consultas. No entanto, para que as pessoas possam consumir os frutos nativos é necessário primeiro conhecer, isso está sendo alcançado por meio da popularização do conhecimento científico no Bosque da Ciência, o qual durante o ano realiza atividades didáticas e educativas, além de possuir amostras de frutos expostos na Casa da Ciência.  Contudo, com intuito de divulgar as pesquisas científicas por meio de linguagem simples e acessível, visando sobretudo, atingir a sociedade em geral, o INPA criou um jornal e uma revista de divulgação científica com distribuições impressas e de fácil acesso em mídias eletrônicas.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MAPATI OU UVA DA AMAZÔNIA, FRUTEIRA AMAZÔNICA DE POTENCIAL ECONÔMICO, MAS COM CULTIVO INEXPRESSIVO.
 É uma fruteira que produz cachos de frutos muito parecidos com os das uvas, porém possui fácil propagação, crescimento rápido e rusticidade contra pragas e doenças. 

Afonso Rabelo-Engenheiro Florestal
rabeloafonso@gmail.com

NOMENCLATURA DA ESPÉCIE
Nome científico Pourouma cecropiifolia Mart.
Sinonímias - Pourouma edulis Dufr., Pourouma multifida Trécul, Pourouma sapida H. Karst. e Pourouma uvifera Rusby.
Família – Urticaceae.
Nomes vulgares – mapati (nome vulgar mais utilizado), uva-da-Amazônia, imbaúba-mansa e uva-da-mata.
Origem – Amazônia Ocidental.
Distribuição – Colômbia, Peru, Bolívia e Brasil (Estados do Acre, Amazonas e cultivada em alguns municípios do Estado Pará).


CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS

ÁRVORE - O mapatizeiro é uma fruteira dioica, caducifólia e de porte médio, podendo alcançar até 12 metros de altura quando adulta. O caule é cilíndrico, retilíneo, porém alongado em florestas fechadas e, curto e muito ramificado em áreas abertas e sob insolação intensa. O ritidoma (casca) possui superfície irregular com coloração cinza-castanho e manchas esbranquiçadas, todavia, a textura é rugosa-lenticelada e com cicatrizes permanentes derivadas dos desprendimentos das folhas. A copa árvore é ampla e fechada quando cultivado em abertas e curta com ramos apartados em florestas fechadas. Qualquer incisão feita nos constituintes plantas dos mapatizeiros é liberada uma seiva aquosa a qual escurece por oxidação. O mapatizeiro provavelmente é nativo da floresta de terra firme da Amazônia Ocidental, no entanto, é cultivado nos estados do Acre, Amazonas e Pará e, em alguns municípios de outras regiões do Brasil. No bioma amazônico o mapatizeiro pode ser encontrado em parques botânicos, pequenas propriedades rurais, sítios e quintais. Contudo, é considerado uma fruteira de valor comercial e nutricional, conferindo a ele, fácil propagação, crescimento rápido, rusticidade, precocidade e boa produtividade, dessa forma, é recomendado para ser cultivado racionalmente em escala comercial, sobretudo, em pequenos pomares e sistemas agroflorestais, ou ainda, como planta ornamental e na recuperação e enriquecimento de áreas degradadas, no entanto, essas potencialidades são poucas aproveitadas (Figura 1).

 Figura 1. Hábito de crescimento do mapatizeiro.

FOLHAS – São simples e grandes, porém com pecíolos alongados, disposições espiraladas nos ramos e com estípulas presentes. Os ramos novos possuem cicatrizes vistosas decorrentes das abcisões dos pecíolos. A lâmina foliar possui forma lobada-palmada, sendo constituída por 9 até 11 lobos, todavia, os lobos possuem margem inteira, superfície lisa e coloração verde-escura na face superior e, cinza-claro com presença de nervuras proeminentes na face inferior. Contudo, os brotos foliares do mapatizeiro quando removidos liberam uma seiva aquosa, a qual é usada na medicina tradicional no combate as enfermidades dos olhos (Figura 2).

 Figura 2. Detalhe da folha do mapatizeiro.

INFLORESCÊNCIAS – São paniculadas, vistosas e formadas nas axilas das folhas dos ramos terminais. As plantas do mapatizeiro são unissexuais (dioicas), ou seja, plantas contendo inflorescências com flores estaminadas ou pistiladas (masculinas ou femininas) separadas em indivíduos diferentes. As inflorescências estaminadas são grandes com várias ráquilas brancas e pedúnculo alongado, porém as flores são numerosas, muito pequenas e constituídas de minúsculos estames. As inflorescências pestiladas são grandes com várias ráquilas de coloração verde com pubescência marrom, porém as flores são numerosas e pequenas, conferindo a elas, cálice e corola tubular, porém soldados e com coloração creme e verde-claro respectivamente e 1 (um) estigma capitado (Figura 3).

 Figura 3. Detalhe da inflorescência feminina do mapatizeiro.

FRUTOS - São drupas formadas em infrutescências semelhantes aos cachos das uvas, no entanto, são bastante perecíveis após a colheita. Entretanto, possuem formas globosas a subglobosas, medindo em média 3,09cm de comprimento por 3,64cm de diâmetro, e pesando em média 22,4 gramas. O epicarpo (casca) possui coloração violeta-escura a roxo-escura, textura fina, consistência membranácea e superfície externa áspera, contudo é rico em pigmentos de antocianinas. O mesocarpo (polpa) possui textura carnosa-suculenta, porém pouco fibrosa, mas com sabor levemente adocicado e agradável. Contudo, é rico em carboidratos, fibras e minerais como cálcio, fósforo e potássio. Costumeiramente os frutos são consumidos forma in natura, logo após a coleta, no entanto, apresenta potencial para preparação de doces, frutas em caldas e desidratadas, geleias, sucos e bebidas fermentadas. A maturação dos frutos nos cachos ocorre 4 meses após a polinização (Figuras 4 e 5).

Figura 4. Detalhe da infrutescência madura do mapati.

 
Figura 5. Frutos inteiros e descerrados nas formas transversais e longitudinais do mapati.
 
SEMENTES – No interior dos frutos encerram-se 1 (uma) semente de tamanho grande, conferindo a ela, superfície estriada, porém lisa, coloração marrom-claro e forma triangular, medindo em média 1,83cm de comprimento por 1,3cm largura e pesando em média 2,4 gramas. As sementes do mapatizeiro são formadas por tegumento fino com textura lenhosa e consistência rígida e, por endosperma abundante de textura sólida e coloração violeta. Quanto ao armazenamento, são classificadas como sementes recalcitrantes, ou seja, não toleram o armazenamento e perdem a viabilidade rapidamente, dessa forma, devem ser colocadas para germinar imediatamente após a retirada dos frutos (Figura 6).

 
 Figura 6. Sementes inteiras e descerradas nas formas transversais e longitudinais do mapati.

sábado, 13 de julho de 2013

EM BUSCA DE FRUTEIRAS RARAS PELO RIO PURUS ATÉ O MUNICÍPIO DE CANUTAMA-AM
Afonso Rabelo, Engenheiro Florestal - rabeloafonso@gmail.com


 SAÍDA DE MANAUS-AMAZONAS-BRASIL

Saímos de Manaus com destino a Canutama no dia 11 de junho a bordo da lancha Dona Nadir, de propriedade do meu irmão Antonino Rabelo. Além da tripulação estavam na lancha meus irmãos Antonino, Diógenes e Jonas, meu sobrinho Jones, minha prima Zete e as cunhadas Maria e Nilze.
Lancha Dona Nadir.
 Saída de Manaus, rio Negro.


 RIO PURUS

O rio Purus é um rio muito sinuoso, porém com exuberante beleza natural. É o último grande afluente da margem direita do rio Solimões. É um rio com alta riqueza de espécies e grande produtividade. Aproximadamente 40% do desembarque pesqueiro da cidade de Manaus são provenientes do Purus e seus afluentes. Além do extrativismo, plantações de culturas de ciclo curto se concentram nas férteis áreas de várzeas. Existem grandes reservas naturais nas suas margens, são elas: a Reserva Biológica do Abufari e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Piagaçu-Purus (ambas no estado do Amazonas) e a Floresta Estadual do Chandless (no Acre).
 Rio Purus
Rio Purus e sua vegetação exuberante.
Rio Purus no período de cheia.
Amanhecer no rio Purus.
Amanhecer no rio Purus.
 Pôr do sol no rio Purus.
 Pôr do sol no rio Purus.
 Rio Purus, gaivotas.
 Sumaúma na margem do rio Purus.
 Rio Purus, ribeirinhos.
Mandim, peixe muito frequente e abudante no rio Purus.
Detalhe de peixe caparari.
Borboleta na margem do rio Purus.

 VESPAS

Vespas também conhecidas como cabas, são insetos temidos, todavia só atacam quanto estão ameaçadas. Na natureza possuem um papel importante na polinização de diversas espécies vegetais, sendo extremamente importante no equilíbrio do meio ambiente e no controle biológico, uma vez que quase todos os insetos considerados como praga têm uma vespa como predador natural. 
Detalhe da vespa, margem do rio Purus.  

 MUNICÍPIO DE CANUTAMA-AMAZONAS-BRASIL

 Canutama é um município do Estado Amazonas, localizado às margens de um dos maiores rios do mundo o rio Purus. Possui uma população de 13.986 habitantes, de acordo com estimativas do IBGE  em 2012. A economia gira em torno do extrativismo, agricultura e pecuária, no entanto a cidade possui muitos comércios de pequeno porte, mantidos por habitantes da cidade e que influenciam bastante na economia. No município, o maior marco cultural ocorre durante os Festejos de São João Batista, padroeiro da cidade, que acontece no mês de junho. Durante um período de quase um mês, a cidade realiza a festa, que também atrai turistas vindos de Manaus, Porto Velho, Rio Branco e outras cidades próximas. Os meios de transporte mais comuns para se chegar até Canutama são os barcos, usando as vias fluvias. A duração em média dessa viagem é de 4 a 5 dias e de avião a viagem de Manaus-Canutama, dura em média 2 horas.

 
Chegada em Canutama.


 
Cidade de Canutama. 

COLETA DAS FRUTEIRAS


Coleta da fruteira remela-de-cachorro (Clavija lancifolia Desf.).
  Remela-de-cachorro (Clavija lancifolia Desf.), ao lado do aeroporto de Canutama-AM.
Flor da Remela-de-cachorro (Clavija lancifolia Desf.).
Frutos da Remela-de-cachorro (Clavija lancifolia Desf.).