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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PALMEIRA BABAÇU, FRUTEIRA DE INÚMERAS POTENCIALIDADES PARA SER EXPLORADA

É uma palmeira oleaginosa muito abundante na Amazônia e parte da região Nordeste e Centro-Oeste, porém pouco explorada, contudo, apresenta potencial alimentício e industrial, podendo gerar receitas para as populações tradicionais da Amazônia.

Afonso Rabelo-Engenheiro Florestal
rabeloafonso@gmail.com

NOMENCLATURA DA ESPÉCIE

Nome científico Orbignya phalerata Mart.
Sinonímias – Attalea lydiae (Drude) Barb. Rodr., Attalea speciosa Mart., Orbignya barbosiana Burret, Orbignya lydiae Drude, Orbignya martiana Barb. Rodr., Orbignya speciosa (Mart. ex Spreng.) Barb. Rodr.
Família – Arecaceae.
Nome vulgar – Babaçu.

ORIGEM – Amazônia.

DISTRIBUIÇÃO – Nos Estados do Acre, Amazonas, Maranhão, norte do Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia, norte de Tocantins.

CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS

ÁRVORE – O babaçuzeiro é uma palmeira monocaule, heliófila e arborescente, podendo atingir até 25m de altura. É nativo da Amazônia com predominância em florestas de terra firme e em florestas abertas. Coroa foliar constituída pôr muitas folhas tipo pinadas e extensas. Os estipes (caule) nas plantas adultas são aéreos, lisos, eretos e cilíndricos, medindo em média 30cm de diâmetro, todavia, nas plantas jovens, são curtos e cobertos por bainhas senescentes. Na superfície do solo próximo ao tronco da planta é comum a presença de folhas velhas, frutos secos e algumas sementes deterioradas (Figura 1). 

 Figura 1. Hábito de crescimento do babaçuzeiro.

O babaçuzeiro ocorre no bioma Amazônico e no bioma Cerrado, contudo, os Estados com maior predominância são: Acre, Amazonas, Maranhão, Norte do Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia e Norte de Tocantins, todavia as grandes abundâncias e extensões de florestas homogêneas de babaçus, os chamados babaçuais são encontrados nos Estados do Maranhão, Piauí e Tocantins. Nos Estados do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e no Norte do Mato Grosso, o babaçu é pouco frequente, entretanto, pode ser encontrado em algumas pastagens degradadas, florestas de capoeiras e bordas de florestas, às vezes em grande abundância principalmente sobre solos argilosos, bem drenados, úmidos ou secos.

Nos ambientes de floresta primária, os babaçuzeiros são associados a uma vegetação heterogênea e densa, a qual é responsável pela baixa abundância de indivíduos adultos. Geralmente nesses ambientes os babaçuzeiros adultos são responsáveis pela formação de um banco de plântulas e de plantas jovens na fase de crescimentos acaulescentes (sem caule). Nessas áreas quando ocorrem desmatamentos ou queimadas para preparação de roçados ou renovações de pastagens, tanto as plântulas, como as plantas jovens de babaçus, persistem nesses ambientes, em decorrência do meristema apical, que na fase de plântulas e de crescimento acaule, permanece abaixo do nível do solo, em consequência disso, as plantas toleram ao corte e resistem às queimadas. Após o fogo acontece crescimento acelerado dos babaçus jovens em relação às outras plantas competidoras (Figura 2). 

 Figura 2. Hábito de crescimento dos babaçuzeiros em florestas degradadas.

No caso das pastagens, populações homogêneas de babaçuzeiros podem ser formadas se o processo de renovação for efetuado sem o manejo adequado ou por meio do fogo, nesses casos, os babaçuzeiros poderão se transformar num grande obstáculo para a agropecuária. Todavia, após o estabelecimento e crescimento em áreas degradadas, os babaçuzeiros produzem frutos em grande abundância por ser uma palmeira tolerante a pragas, doenças e suportar estiagens prolongadas, solos compactados, degradados e com baixa fertilidade. Os principais dispersores das sementes de babaçus são cutias e pacas (Figura 3). 

 Figura 3. Hábito de crescimento dos babaçuzeiros em pastagens degradadas.

FOLHAS - Coroa foliar é constituída por 12 até 20 folhas do tipo pinadas, medindo até 9m de comprimento; as pinas são distribuídas regularmente e dispostas no mesmo plano ao longo da raque (eixo central da folha). A bainha da folha é aberta, curta e com até 0,8m de comprimento; o pecíolo pode alcançar até 2,0m de comprimento. Na coroa foliar, entre as bainhas novas e velhas, é comum a presença de insetos (besouros), de aracnídeos (aranhas e escorpiões), anfíbios (sapos), répteis (cobras), roedores (ratos e camundongos) e vegetais como samambaias e aráceas (Figuras 4 e 5). 

 Figura 4. Detalhe das folhas do babaçuzeiro.

 Figura 5. Coroa foliar do babaçuzeiro com presença de samambaias.

INFLORESCÊNCIAS - São de coloração amareladas, com forma espigada e localização intrafoliar, ou seja, entre as bainhas das folhas. Estas inflorescências são protegidas por uma espata alongada, bem larga no meio e, pontuda na extremidade apical; a textura é rígida com superfície inferior lisa e a superior áspera, sendo esta constituída por pequenas faixas longitudinais. Regularmente as inflorescências podem ser monoicas, estaminadas ou pistiladas. As inflorescências monoicas apresentam flores masculinas e femininas juntas na mesma inflorescência, sendo as femininas distribuídas na base do eixo e as masculinas nas extremidades, no entanto as inflorescências estaminadas, apresentam somente flores masculinas, já as pistiladas apenas flores femininas, e raramente, todas juntas na mesma planta. As flores estaminadas são constituídas por 3 sépalas, 3 pétalas e 6 estames e as flores pistiladas por 3 sépalas livres, 3 pétalas ovoides e estigma trífido (Figura 6).

 Figura 6. Detalhe da inflorescência do babaçuzeiro.

FRUTOS – Apresentam formas elipsoides, oblongas e às vezes cilíndricas. O estigma é persistente na região apical dos frutos, entretanto, quando maduros o perianto desgruda facilmente da base. Os frutos de babaçus medem 9,8 a 11,4cm de comprimento por 5,7 a 6,7cm de diâmetro e pesar entre 200 e 300g. O epicarpo (casca) possui coloração marrom-castanha e pequenos pontos verdes, contudo a superfície é levemente áspera, fina e a textura é rígida e muito fibrosa, com potencial para ser usada na produção de papel ou bioenergia em fornos caseiros. O mesocarpo (polpa) com rendimento de ±30% do total do fruto possui coloração marrom-clara a esbranquiçada, com textura farinácea, seca, sem aroma e rica em amido. Este mesocarpo possui potencial alimentar e nutritivo e dele pode ser extraído uma farinha ou pó de babaçu, o qual pode ser usado na culinária caseira para preparações de mingaus ou como ingredientes para preparações de bolos e pães, ou ainda como rações para animais domésticos (Figuras 7, 8 e 9). 

 Figura 7. Detalhe da infrutescência do babaçuzeiro.

 Figura 8. Frutos inteiros e descerrados nas fomas longitudinais e transversais do babaçuzeiro.

 Figura 9. Detalhe da farinha do mesocarpo (polpa) do babaçu.

SEMENTES – São constituídas por endocarpo lenhoso, rígido, superfície fibrosa e coloração marrom e opaca. No interior do endocarpo encontram-se de uma a seis sementes (amêndoas) e eventualmente oito. Depois da retirada das sementes, o endocarpo pode ser usado para fabricação de biojoias tais como: anéis, brincos, colares e pulseiras ou ainda para produção de bioenergia doméstica e carvão com alto poder calorífico. As sementes são formadas por tegumento fino, superfície estriada e coloração castanha. O endosperma (amêndoa) é muito oleoso, coloração branca, textura sólida e abundante, podendo ser consumido na forma in natura pelos humanos ou animais domésticos. O rendimento em óleo pode atingir até 60% dos endospermas (amêndoas) (Figura 10). 

 Figura 10. Sementes inteiras e descerradas na forma transversal e longitudinal do babaçuzeiro.

O óleo extraído da amêndoa de babaçu é o subproduto mais valorizado e com alto valor comercial, tanto para usos domésticos como indústrias. Com respeito ao uso doméstico, o óleo de babaçu pode ser utilizado na preparação de diversas iguarias ou na fabricação de produtos de limpezas como sabões e detergentes. Na medicina tradicional é usado no controle da dor de garganta e como anti-inflamatório, cicatrizador ou ainda para massagens do corpo do humano. Nas indústrias o óleo de babaçu é muito utilizado para produção de sabões, sabonetes naturais, cremes hidratantes, condicionadores, xampus e óleos lubrificantes (Figuras 11 e 12). 

 Figura 11. Detalhe do azeite do endosperma (amêndoa) do babaçu.

Figura 12. Produtos obtidos a partir das sementes do babaçu.

O armazenamento das sementes do babaçu não é recomendado, pois podem aumentar a predação das amêndoas pelas larvas dos besouros da família dos bruquídeos e reduzir significativamente a taxa de germinação, todavia, populações tradicionais consomem como alimento as larvas desses besouros na forma in natura ou utilizam na preparação de diversas iguarias, principalmente na época de escassez de comidas.

OUTROS USOS DO BABAÇU – As árvores têm potencial para uso no paisagismo urbano, pois tolera solos secos, compactados e com baixa fertilidade. As folhas novas ainda fechadas podem ser beneficiadas para serem usadas nas coberturas de casas ou confecções de abanos, cestas, chapéus e peneiras. O Estipe (caule) tem potencial para ser transformado em esteios para construções rurais e assentos rústicos. Os óleos extraídos das amêndoas possuem grande potencial para composição do biodiesel. Após a extração do óleo, os resíduos das amêndoas (farelo) podem ser utilizados na alimentação de animais domésticos ou como ingredientes para composição de rações balanceadas.

Um comentário:

  1. quais informações podes nos disponibilizar sobre a espécie que aparece em tamanho menor na figura 3, com folhas mais claras e em maior número.
    nosso e-mail: costa_ed1@hotmail.com

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